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Memória: Seminário Ciência cidadã e determinação social da saúde (2015)

  • 12 de nov. de 2024
  • 3 min de leitura



Dia 03 de julho, nós, alunos da turma de Doutorado 2014 do PPGICS/Fiocruz (Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz), nos reunimos no auditório do Icict para o Seminário Ciência cidadã e determinação social da saúde: desafios e perspectivas. Foi um semestre inteiro lendo textos recomendados pela professora Cristina Guimarães para nos prepararmos para o evento. O desafio posterior seria o de refletir sobre como esta temática poderia contribuir ou conversar com o projeto de tese de cada um de nós em apenas uma folha.


No início, o norte de nossas reflexões foi o conceito de “risco”, de Andy Stirling (2003)[1], que defende que o risco é inerente à sociedade que estamos vivendo, que é algo relacionado à incerteza, à ignorância, e que pede prevenção. Dessa forma, comecei a pensar em como o risco poderia dialogar com meu objeto de investigação, dentro do Doutorado pelo Brasil Sem Miséria (BSM), qual seja, a comunicação científica que ocorre através de práticas interativas na Internet, usando avaliações de tipo bottom-up? Ocorre que, como observado pela professora, a comunicação pode ser vista ela mesma como um risco pelo modo como ela tenciona o fluxo e suas práticas de comunicação. Quando avaliamos a sua relação com a sociedade e à tomada de decisão, essa “comunicação de risco” entraria no campo do conflito do especialista/expert e do leigo/desinformado. O maior risco de minha pesquisa seria então tentar mostrar como isso acontece.


Em seguida, passamos a refletir sobre alguns conceitos que se relacionavam com o empoderamento; que traziam um vínculo de pertencimento, de participação, de solidariedade, de democracia, de civismo. Foi então que chegamos ao conceito de ciência cidadã, defendido por Alan Irwin (1995)[2]. E, mais uma vez, aproximando o meu projeto do conceito abordado, acredito que a estratégia de uma comunicação científica participativa e colaborativa, distribuída nas redes da Internet, seria uma na qual tanto os especialistas, quanto os próprios cidadãos possam compartilhar o processo de construção do conhecimento científico; possam trabalhar juntos, com suas diferentes habilidades e experiências, em um contexto multidisciplinar, para diminuir ou até mesmo solucionar um determinado problema da sociedade. Isso iria de encontro ao que afirma Michael Gibbons (2001)[3], em seu “Modo 2 de produção de conhecimento”, quando fala sobre a produção do conhecimento ser cada vez mais um processo socialmente distribuído.


Por fim, como o meu projeto está inserido no contexto da comunicação e da informação sobre as doenças negligenciadas, dentro do BSM, minha tarefa é dar atenção ao processo social e às dinâmicas sociais da determinação social. Um processo que permite expôr os problemas experienciados localmente e contribuir para uma equidade em saúde sustentável, levando em conta os diferentes modos e formas de vida de comunidades dentro dos mais variados contextos, em escalas macro, mezzo e micro[4].


Esses são portanto alguns dos grandes desafios a que estou submetida nesse meu processo de doutoramento porque trazem novos elementos para se pensar a ciência e a construção do conhecimento, como por exemplo, as discussões no âmbito das inovações, ou nas disputas e na interlocução da ciência com outros saberes, outros atores cognitivos e outros espaços-tempos.


Referências

[1] Risk, uncertainty and precaution: some instrumental implications from the social sciences. In: BERKHOUT, M., LEACH, M., SCOONES, I. (eds). Negotiating change: new perspectives from the social sciences, Edward Elgar, CHeltenham.

[2] Ciência cidadã: um estudo das pessoas, especialização e desenvolvimento sustentável. Instituto Piaget.

[3] Science, Technology and governanceGovernance and the new production of knowledge. Ed. John de la Mothe.

[4] SPIEGEL ET AL. Why language matters: insights and challenges in applying a social determination of health approach in a North-South collaborative research program. Globalization and Health, 11; 9. 2015

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