Expedições científicas no Brasil e os saberes locais
- 4 de dez. de 2024
- 2 min de leitura

Belisario Penna durante a Expedição Científica ao Nordeste e Centro-Oeste em 05/1912- Piaui. Fiocruz. Foto: Jose Teixeira
A primeira aproximação que fiz do meu tema de pesquisa - Ciência Cidadã - com as aulas da disciplina História das Ciências e da Divulgação Científica (na COC/Fiocruz), ministrada pelos professores Cristina Araripe e Ricardo Freitas, foi através de uma foto que retratava a expedição científica feita por Belisário Penna e Arthur Neiva ao Piauí, no início do século XX(1).
Essa expedição, além de ajudar a realizar campanhas profiláticas e investigar as condições sanitárias de diferentes regiões do país, representava também o encontro do conhecimento científico, formal, com o conhecimento das populações locais - os saberes locais. De acordo com Domingues (2016), desde o início do século XX, e mesmo antes, no século XIX, já se podia encontrar na pesquisa científica, a interseção entre o campo científico e o campo dos saberes tradicionais ou populares.
Os saberes locais, ou ainda tradicionais ou populares fazem referência ao conhecimento acumulado e transmitido por comunidades específicas ao longo do tempo, baseado em suas experiências, práticas culturais e interações com o ambiente. Na história da ciência e da saúde, esses saberes são fundamentais, pois oferecem perspectivas únicas e soluções práticas para problemas de saúde e ambientais que muitas vezes são ignorados ou subestimados pela ciência ocidental.
Durante as primeiras expedições científicas no Brasil, a ciência que aqui se fazia não era somente europeia, uma vez que ela só foi possível com a ajuda da circulação de saberes de habitantes locais que conheciam a região e as plantas medicinais, por exemplo. A história da ciência nos mostra, portanto, que a produção do conhecimento científico nunca foi uma prática exclusiva dos cientistas e especialistas, uma vez que contava com o conhecimento de populações locais.
A integração dos saberes locais com a ciência feita por especialistas é importante tanto para o desenvolvimento da ciência quanto para a valorização dos saberes populares. Isso pode levar a inovações importantes e a soluções mais eficazes e sustentáveis para problemas de saúde e ambientais, por exemplo.
Nota
(1) Essa não foi a única expedição do período, podemos citar também a expedição Rondon (1907-1915). HOCHMAN; VITAL. Da malária e da 'corrupção': medicina e saberes locais no noroeste do Brasil (Comissão Rondon, 1907-1915). Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. 8 (1) • Abr 2013 • https://doi.org/10.1590/S1981-81222013000100005



Comentários